(AM Intelligence 688) Um esforço discreto, mas incisivo, tendente a cativar sobas (autoridades tradicionais) e dignitários de igrejas e/ou as próprias igrejas, tem vindo a ser referenciado no âmbito da campanha político-eleitoral do regime e do MPLA.

O fenómeno é visto como reflexo de o regime ter noção do clima de insatisfação popular que o atinje e de tentar confinar a situação e/ou prevenir o seu empolamento e respectivas consequências político-eleitorais negativas.

Os sobas e as igrejas são grupos/instituições considerados portadores de “grande influência social”. Atitudes ou condutas dos mesmos adversas ao regime e ao MPLA tenderiam, conforme ilações internas, dar vazão acrescida à insatisfação e servir de elementos aglutinadores da mesma.

O clima de insatisfação e animosidasde contra o regime (José Eduardo dos Santos é o alvo mais visado), está a ter reflexos negativos na capacidade de mobilização do MPLA – conforme ficou patente em 2 comícios em Luanda, cuja participação popular não correspondeu às expectativas.

O MPLA dispõe de vantagens extra-eleitorais que lhe permitirão ganhar as eleições. O controlo do Estado, sua máquina e recursos e as capacidades que conserva para interferir no funcionamento sistema eleitoral (logística e informática) são suficientes para lhe permitir produzir um resultado. Dispõem também de influências externas.

Os esforços do regime no sentido de cativar sobas e figuras das igrejas visam, em articulação com um “controlo dirigido” dos grandes meios de comunicação social, evitar publicidade do presente clima de insatisfação – que pela sua dimensão e particularidades é desconforme com uma vitória eleitoral do MPLA.

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