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Análise

Santos caminha para a reeleição, Lourenço ganha força como sucessor

Santos caminha para a reeleição, Lourenço ganha força como sucessor

 
A formalização, quinta-feira, da recandidatura de José Eduardo dos Santos à presidência do MPLA foi conjugada com o sacudir os dois maiores focos de pressão externa: libertando os 17 ativistas condenados e abandonando as negociações com o FMI, assim fortalecendo a posição para a reeleição como presidente da República em 2017. Entretanto, no pano de fundo, vai ganhando consistência a opção por João Lourenço como vice-presidente.

Indo ao encontro de avaliação do Africa Monitor Intelligence, a consultora britânica IHS defendeu, numa análise divulgada em junho, que João Lourenço, atual ministro da Defesa, “parece cada vez mais bem colocado para ser o próximo presidente de Angola”, quando Santos deixar o poder, em 2018, segundo prometeu. Isto por ter laços próximos quer ao atual presidente, quer à velha guarda do MPLA.

Além de um antigo colaborador de Santos, Lourenço foi secretário-geral do MPLA, o que lhe garante o apoio da velha guarda do partido, bem como da militância mais periférica. Asseguraria que o MPLA retinha o controlo do poder. No último ano, Lourenço tem reportado diretamente ao presidente, algo que antes fazia através do chefe da Casa Militar da presidência, Helder Vieira Dias “Kopelipa”.

Para Isabel dos Santos, parece estar reservado o papel de controlar a principal fonte de rendimentos do país – a Sonangol, como presidente – que assegura a compra de lealdades a nível político e social, para além de ser figura incontornável nos principais bancos e empresas estratégicas do país, nomeadamente telecomunicações.

Quanto a José Filomeno dos Santos “Zenu”, as suas hipóteses são consideradas remotas, dado que não dispõe de apoio interno suficiente no partido. Já Isabel, segundo o Africa Monitor Intelligence, é respeitada dentro do partido, e inclusivamente está na calha para ascender ao Bureau Político do MPLA. Integra já um comité de especialidade do MPLA, o dos economistas, algo que “Zenu” não conseguiu.

“O que JES pretendia para IS, já o conseguiu – que ficasse com o controlo da principal fonte de receitas do regime, a Sonangol, o que só por si lhe dá um poder sem par em todo o setor empresarial, com intervenção ou influência sobre os principais negócios no país e no exterior, e até mesmo no financiamento do Estado (...) Esta
´sucessão´ está feita”, afirma Briefing Africa Monitor Intelligence de 21 de junho. 

“Por uma ou outra razão, todos os mais propalados potenciais sucessores", caso de Zenu e Manuel Vicente – ficam aquém do que será necessário para manter a coesão do regime quando chegar a altura da sucessão. Mas há, sem alaridos, uma outra figura a evoluir no fundo, e a afirmar-se de forma discreta mas decisiva. João Lourenço apresenta todos os requisitos para surgir como número 2 de JES na candidatura presidencial, e uma garantia de que o processo, quando chegar a altura (seja em 2018, 2019, 2020…) se desenrola com a tranquilidade necessária”, adianta o Africa Monitor Intelligence.

Ou seja, a solução que está a desenhar-se é a de dois sucessores - uma para a economia, outro para o governo e política.