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Angolanos continuam a empobrecer, pelo menos até 2017

Angolanos continuam a empobrecer, pelo menos até 2017

 
A economia angolana abrandou, mas continua a crescer. O que não vai crescer nos próximos anos é o rendimento médio dos angolanos, dado que o crescimento esperado da população será superior ao da economia. Segundo as principais projeções, o PIB per capita continuará a regredir, pelo menos, até 2017. A isto junta-se uma inflação na casa dos 20%, que faz com que o rendimento disponível seja ainda inferior. 

O Fundo Monetário Internacional, com o qual Angola está entretanto a negociar assistência financeira para lidar com a quebra acentuada e prolongada de receitas, apresenta hoje em Kampala e Abidjan as suas previsões económicas regionais para a África Sub-Sahariana. Segundo estas, o PIB per capital angolano irá recuar 0,5% em 2016, 0,3% em 2017, depois de não ter crescido em 2015. A inflação será de 19,1% em 2016 e 15,2% em 2017.

Numa nota aos investidores divulgada no final de Abril, o Deutsche Bank prevê que este ano o PIB per capita recuará pelo 3º ano consecutivo. O crescimento do PIB ficará abaixo dos 3%.

As últimas previsões da Economist Intelligence Unit apontam para um crescimento médio do PIB de 2,6%/ano entre 2016-2020. O que significa que Angola continuará a crescer abaixo da média regional, logo a empobrecer em relação aos seus pares.

A diversificação da economia vai demorar mais tempo a produzir efeitos do que as autoridades parecem acreditar. O PIB real, segundo a EIU, continuará a evoluir consoante tendências no setor energético, apesar de esforços para diversificar a economia, que também levantam dúvidas ao FMI.

Numa nota hoje divulgada a propósito da apresentação das previsões regionais, Antoinette Sayeh, diretora do Departamento Africano do FMI, pede uma “redefinição” de políticas, em particular para os países produtores petrolíferos.

"África precisa de uma redefinição de políticas substancial, para aproveitar o forte potencial da região”, de forma "urgente em exportadores de commodities e alguns países com acesso ao mercado, na medida em que a resposta política até à data tem sido geralmente insuficiente”, afirma Sayeh, na nota hoje divulgada pelo FMI.

“Perante reservas orçamentais e externas em rápido declínio e financiamentos constrangidos, os exportadores de commodities devem responder ao choque prontamente e com firmeza para evitar um ajuste desordenado. Como a receita do setor extrativo será provavelmente reduzida por um período duradouro, muitos países afetados precisam criticamente de conter déficits orçamentais e construir uma base fiscal sustentável a partir do resto da economia”, adianta.

A responsável do FMI sugere mesmo para os países fora de uniões monetárias, como é o caso de Angola, “a flexibilidade da taxa de câmbio, como parte de um pacote de política macroeconómica mais ampla, também deve ser parte da primeira linha de defesa”. Isto numa altura em que o valor de mercado do kwanza é mais do dobro da cotação oficial fixada pelo Banco Nacional de Angola.

A situação nos países produtores petrolíferos contrasta com a dos importadores, com crescimentos superiores a 5 por cento em países como a Costa do Marfim, Quénia e Senegal, bem como em muitos países de baixo rendimento. Este crescimento está a ser suportado por esforços de investimento de infraestruturas em curso e forte consumo privado.

Segundo o Briefing Diário África Monitor de hoje, as políticas defendidas pelo FMI para África “deverão incorporar o futuro programa a adotar por Angola, na sequência das negociações em curso, nomeadamente medidas de contenção urgente de déficits orçamentais, construção de uma base fiscal sustentável a partir do resto da economia e flexibilidade da taxa de câmbio, o que pode implicar uma desvalorização brusca da cotação do kwanza, para mais próximo do seu valor real/de mercado”.