África Monitor

Acesso Livre - Economia

Kwanza desvalorizou 50% no último ano

Kwanza desvalorizou 50% no último ano


A quebra registada pelo kwanza na segunda-feira, a maior desde 2001, elevou para 50 por cento a sua desvalorização em relação ao dólar, no último ano. Com a moeda angolana mais fraca, os produtos importados tornam-se mais caros. E diversos analistas questionam já a capacidade de Angola sustentar o valor da sua moeda.

Rebecca Engebretsen, da Universidade de Oxford, considera “questionável” a manutenção do atual modelo de resposta a uma continuação dos baixos preços do petróleo, em que as reservas de moeda estrangeira são consumidas para defender o valor do kwanza e para pagar importações, sem “qualquer transformação da economia”.

Em causa, escreve no site “African Arguments”, está a capacidade de Angola continuar a suportar o baixo nível dos preços do petróleo, sua principal fonte de receitas – e divisas, que continuam a escassear.

Para a académica, a inação na diversifiação da economia deveu-se sobretudo ao receio das elites perderem as suas posições dominantes. Se as importações continuarem a encarecer, defende, a classe média angolana terá maior dificuldade no acesso a produtos internacionais a que se acostumou, e o regime está “bem ciente de que uma diminuição no poder de compra destes grupos pode espoletar turbulência política e social, como aconteceu noutros países durante as Primaveras Árabes”.

A quebra da cotação oficial em relação ao kwanza é uma aproximação aos valores reais da moeda angolana, no mercado informal, muito mais baixos. Após a desvalorização pelo Banco Nacional de Angola, na segunda-feira, o valor do kwanza caiu 15 por cento em relação ao dólar. Foi a maior descida desde setembro de 2001.

O kwanza negoceia agora nos mercados oficiais na casa dos 158 para o dólar. Mesmo com as quebras consecutivas, o valor no mercado informal é estimado em cerca de 270 para o dólar. Desde janeiro de 2015, a quebra é superior a 50 por cento. Foi o oitavo ano seguido de descidas.

A maior dor de cabeça para Angola é a contínua descida dos preços do petróleo. Desde junho de 2014, o crude já desvalorizou mais de 65 por cento. A quebra das receitas de venda de petróleo significa menos entrada de divisas no país.

Paralelamente, os bancos angolanos sofrem agora novas restrições no acesso a divisas (continuar a ler).