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Acesso Livre - Economia

Negociações entre Moçambique e Anadarko sobre gás do Rovuma endurecem

Negociações entre Moçambique e Anadarko sobre gás do Rovuma endurecem


Moçambique está a poucos anos de se tornar num grande produtor mundial de gás. Mas o desenvolvimento das infraestruturas de produção só avança depois de assinados alguns acordos importantes com a multinacional responsável pela exploração, a Anadarko. Com a quebra do preço do petróleo e gás, as negociações entre ambas as partes endureceram.

Entre os contratos em negociação está o da alocação de gás para mercado doméstico: uma parte da produção que não será exportada, mas disponibilizada para o mercado doméstico, a preços baixos, para apoiar a indústria moçambicana. Em artigo para o Centro de Integridade Pública (CIP), o analista Adriano Nuvunga exorta o governo moçambicano a não repetir os erros de outras áreas de exploração, Pande e Temane.

“Num eventual falhanço do Governo em firmar acordo, estar-se-á diante duma receita para que a Bacia do Rovuma seja como Pande e Temane em que os acordos assinados preveem que 100% do gás produzido seja exportado para a África do Sul, a preço de banana, ficando apenas o gás royalty (cuja quantidade se foi tornando irrisória) para as necessidades do mercado doméstico”, afirma.

Inicialmente, a Anadarko estava disponível para alocar 400 milhões de pés cúbicos por dia para uso doméstico. “Mas isso mudou radicalmente”, afirma Nuvunga. Agora está disponível apenas para alocar perto de metade, alegando eventuais perdas “com a queda dos preços internacionais de petróleo”. E diz já não poder disponibilizá-lo a um custo tão baixo.

“O ponto é que com a quantidade de gás existente no Rovuma é possível a Anadarko produzir 20% extra de gás para o mercado doméstico ao preço do custo de produção, sem prejudicar os pressupostos económicos do projecto. É verdade que outras vozes dentro da indústria afirmam que não há capacidade de absorção do gás no mercado Moçambicano”, afirma. Mas a perspetiva é de aumento da procura.

O analista afirma que “aparentemente, a Anadarko está a ter tudo o que quer na mesa de negociações com o Governo” e “o receio é o de que se passe o mesmo em relação ao preço do gás”. “As multinacionais vão fazer pressão ao Governo para decidir rápido sobre termos muito problemáticos”.

Após negociados os contratos, será finalizado o Plano de Desenvolvimento do projecto, a ser submetido ao Governo. Em negociação está ainda, entre outros pontos, o finan-ciamento da participação do Estrado através da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos.

O aumento da dívida do Estado moçambicano devido ao caso EMATUM está, por outro lado, a dificultar a capacidade de a ENH entrar no negócio em condições vantajosas (continuar a ler).