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Acesso Livre - Economia

Petrolífera colombiana retira-se de dois blocos na bacia do Cuanza, Angola

Petrolífera colombiana retira-se de dois blocos na bacia do Cuanza, Angola

 
Investir na exploração de petróleo tornou-se menos rentável, com os preços do crude em níveis baixos. Em Angola, as dificuldades começam por se fazer sentir na zona do “pré-sal”, onde as condições exigem investimentos ainda mais avultados na exploração. Na Bacia do Cuanza avolumam-se as desistências de empresas envolvidas nos trabalhos.

A “baixa” na exploração da Bacia do Cuanza é a da petrolífera estatal colombiana. A Ecopetrol está vendedora das suas participações nos Blocos 38 e 39, controlados pela norueguesa Statoil. Pouco mais de um ano depois da aquisição, os colombianos anunciaram que, até ao momento, não foi descoberto gás ou petróleo em quantidade e qualidade que viabilize a comercialização.

As declarações foram feitas pelo vice-presidente da Ecopetrol, Max Torres. Após dois furos “secos”, com “um custo muito elevado”, a decisão foi de abandonar o projeto. Os colombianos detinham 10 por cento em cada um dos dois blocos do Cuanza.

Em vez de dar sinais de recuperação, os preços do petróleo têm vindo a deslizar ainda mais. Na terça-feira, a cotação do barril caiu abaixo dos 37 dólares em Nova Iorque e dos 40 dólares em Londres, pela primeira vez desde 2009. A situação torna ainda mais inviáveis trabalhos de exploração de petróleo que exijam investimentos avultados.

Foi o caso do pré-sal, onde grandes petrolíferas internacionais têm vindo a acumular perdas. Em Angola, a norte-americana Conoco Phillips anunciou em 2014 um prejuízo 140 milhões de dólares. A norueguesa Statoil registou uma perda de 350 milhões de dólares e, após resultados “decepcionantes”, anunciou a suspensão da exploração no país.

Inicialmente, o pré-sal angolano gerou grandes expectativas, dado que apresenta uma geologia semelhante aos do “pré-sal” brasileiro, onde foram feitas as maiores descobertas petrolíferas recentes.

A Statoil tinha um contrato de três anos com uma empresa de exploração, a Stena Drilling, mas acabou por cancelá-lo ao fim do primeiro ano, assumindo um prejuízo de 350 milhões de dólares. O valor inclui a exploração e o pagamento dos blocos angolanos.

As expetativas são agora de uma
redução substancial dos investimentos petrolíferos em Angola, nos próximos anos (continuar a ler).