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Acesso Livre - Economia

Quebra do metical é a mais recente “nuvem negra” sobre Moçambique

Quebra do metical é a mais recente “nuvem negra” sobre Moçambique

 
O metical já desvalorizou perto de 40 por cento este ano. A semana passada foi uma das piores de sempre para a moeda moçambicana. A pesar sobre o metical estão as negociações entre o governo e credores em torno de uma dívida de 850 milhões de dólares da EMATUM.

Um metical desvalorizado significa importações mais caras e menos rendimento pelas exportações, contribuindo para desequilibrar a balança comercial moçambicana e dificultando o serviço da dívida, que é cotada em divisas estrangeiras. Dados das agências de notícias financeiras indicam que a moeda moçambicana foi, juntamente com o kwacha da Zâmbia, a que mais caiu entre 24 países africanos (39 por cento).

A principal fonte de perturbação é a dívida de 850 milhões de dólares da EMATUM, que já está a pesar sobre o endividamento público moçambicano. O governo mandatou o banco BNI para negociar com os investidores uma reestruturação das obrigações. O objetivo é alongar os prazos de pagamentos e baixar os juros.

O empréstimo foi usado, em parte, para financiar a compra de barcos de pesca. Mas 500 milhões de dólares serviram para compra de barcos de patrulha e pesam diretamente sobre as contas do Estado. Segundo a Fitch Ratings, o nível de endividamento chegará aos 62 por cento do PIB este ano, mais 24 pontos percentuais do que em 2011.

O governo já admitiu que as obrigações da EMATUM sejam convertidas em títulos de dívida pública, que têm condições mais favoráveis para o Estado. O processo tem vindo a ser criticado pela sociedade civil. Alguns investidores, como o alemão Landesbank Berlin, já se declararam contra qualquer mexida nos termos do empréstimo.

A agitação já colocou Moçambique na “mira” das agências de rating financeiro. Em julho, a Standard & Poor´s cortou a notação financeira moçambicana. A Moody´s fez o mesmo em agosto e a Fitch em outubro. Na semana passada, a sul-africana NKC African Economics mudou para “negativa” a sua perspetiva para a situação financeira do país.

A pressão financeira surge numa altura em que a economia moçambicana já está a ser penalizada pela quebra do preço de matérias-primas como o carvão e gás, bem como pela instabilidade a nível político e de segurança. Os esperados investimentos na exploração de gás natural são mais importantes agora, mas as negociações com os investidores parecem ter-se complicado (continuar a ler).