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Acesso Livre - Cultura

“Mulher angolana trabalhou muito pela independência e democracia, mas não lhe dão crédito”

“Mulher angolana trabalhou muito pela independência e democracia, mas não lhe dão crédito”

  
No ano em que se celebram os 40 anos da independência de Angola e das outras ex-colónias portuguesas, o papel da mulher nas mesmas, e na posterior luta pela democracia, é focado no mais recente livro da escritora angolana Anabela Chipeio Muekalia. Para a autora de “Angola – Quando o Impossível se Torna Possível”, à mulher do seu país muitas vezes não lhe é dado o crédito que merece nas lutas políticas.

O livro relata na primeira pessoa a história de luta e sobrevivência de Anabela Muekalia, desde o Cubal até aos Estados Unidos e a Washington, onde hoje lecciona Gestão (Universidade de Potomac). Separada dos pais desde os 15 anos no início da
 guerra civil em 1975, encontrou o pai aos 23 anos e refez a vida, mas sem a mãe. “Desapareceu no vendaval da guerra e hoje pertence ao tempo”.

“As mulheres trabalharam bastante para a edificação da independência e da democracia em Angola e outros países, mas muitas vezes não lhes é dado o crédito”, disse ao Africa Monitor. “Quis prestar homenagem às mulheres que lutaram. Àquelas mulheres que, com crianças nas costas, se bateram para que hoje possamos usufruir de uma independência, e lutemos para uma democracia muito mais aceitável. Tivemos mulheres capazes de o fazer”.

“No século XXI, é preciso ter a mulher como uma parceira para o desenvolvimento socioeconómico de qualquer país. É preciso aposta na Educação e Saúde para edificar um país”, adianta a autora. Sublinha em particular o contributo dos jovens, que hoje são os mais afetados pelo desemprego, em tempos economicamente difíceis para Angola.

Da “superação” que foi fazendo dos obstáculos ao longo dos 55 anos de vida, apresenta 10 lições para que outros “possam encontrar encorajamento e motivação”. “Há muitos problemas financeiros, desemprego, familiares, que podem destruir sonhos e quebrar a vontade de mudar para uma vida melhor. É preciso acreditar em nós mesmos e tornar o impossível possível”.