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Arquitetura “tropical” luso-moçambicana sob ameaça

Arquitetura “tropical” luso-moçambicana sob ameaça

 
A descoberta de grandes jazidas de gás natural, carvão e outros recursos minerais atraiu capital a Moçambique e deixou em efervescência o imobiliário. Com novos complexos de habitação e comércio a nascerem em toda Maputo, muito do património edificado na época colonial, incluindo exemplares valiosos da arquitetura do “modernismo tropical” estão ameaçados. Só nos últimos 2 anos, cerca de 50 edifícios terão sido destruídos, alerta a revista norte-americana Christian Science Monitor.

Moçambique é rico em exemplares de arquitetura do início e meados do século XX. Um dos grandes nomes do “modernismo tropical”, Pancho Guedes, terá deixado perto de 500 edifícios no país, dos quais 100 em Maputo, antiga Lourenço Marques. Segundo o arquiteto moçambicano Walter Tembe, alguns dos seus edifícios têm sido destruídos para dar lugar a novos condomínios.

“Se preservássemos os nossos edifícios antigos, especialmente os estilo Art Deco, teríamos uma pequena Miami”, afirma o arquiteto. Desde 2013, cerca de 50 edifícios foram destruídos ou condenados a demolição, estima. Segundo a revista norte-americana, estão em curso projetos de construção avaliados em 25 mil milhões de dólares.

Moçambique possui edifícios de grande valor arquitectónico, como o Hotel Polana Serena ou a Casa de Ferro. A estação de caminhos de ferro da antiga Lourenço Marques é considerada das mais belas do mundo e já foi cenário de filmes de Hollywood.

Para outro arquiteto local, António Chitosoto, o património arquitectónico é “parte da história do país e importante para o desenvolvimento”. “Com eles, podemos mostrar às nossas crianças a prova viva do desenvolvimento do nosso país”, afirma.

O governo responde que não tem verbas suficientes para a recuperação deste património. Para Tembe, “o governo está mais preocupado em fazer dinheiro com novos projetos de construção.

A lei atual protege apenas edifícios construídos antes de 1920, deixando de fora a maior parte do edificado de Guedes e outros arquitetos de meados do século.