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Acesso Livre - Cultura

Brasil "solidamente comprometido com o Acordo Ortográfico"

O Brasil está empenhado na aplicação ao acordo ortográfico. Quem o diz é o Embaixador do Brasil em Portugal, que veio a público para "evitar percepções incorrectas". Mario Vilalva garante que o o alargamento do prazo de transição decretado em 2012, não reflecte "dúvidas" em relação à aplicação do acordo no país.

Num artigo que assina no jornal português "Diário de Notícias" na quarta-feira, o diplomata começa por dizer que "de modo a contribuir para o debate, e com vista a evitar percepções incorretas sobre o comprometimento dos nossos governos, é essencial proceder a um esclarecimento dos factos". Isto porque, diz, que uma das razões apresentadas pela petição pela desvinculação de Portugal do Acordo Ortográfica, entregue na Assembleia da República, é de que o governo brasileiro "estaria expressando dúvidas" quanto à implementação do Acordo Ortográfico.

Mario Vilalva diz que esta interpretação é "equivocada" e explica a razão do acto legislativo que causou a polémica. "Em 2012, o Brasil aprovou a prorrogação até 2015, do prazo de transição para a adoção integral do AOLP (Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa). A intenção do Governo correspondeu a uma adequação dos prazos para torná-los compatíveis com a tarefa de adaptar a grafia do português em um país de 200 milhões de habitantes ". O embaixador garante que "tratava-se de conceder mais tempo ao convívio entre as regras novas e antigas" e que esta estratégia também permitirá ajustar o ritmo de implementação aos "demais países da CPLP (Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa)".

Para afastar todas as dúvidas que surgiram, afirma que "o governo brasileiro está solidamente comprometido com o Acordo Ortográfico, não cogita promover retrocessos e não admite a reabertura de negociações sobre o seu texto".

O embaixador sublinha as vantagens e a importância que encontra no acordo, e relembra que no Brasil este é amplamente utilizado nos "órgãos públicos, nas escolas, na imprensa e nas indústrias culturais".

Entre as principais vantagens, Mario Vilalva afirma que o acordo vai beneficiar o intercâmbio cultural através do derrubar de fronteiras e custos no mercado editorial, vai ajudar a promover o português como língua da ciência e da tecnologia e facilitará a aprendizagem do mesmo, que será unificada, sem haver uma diferenciação entre o português de Portugal e o do Brasil.

Com 6212 assinaturas, a petição "pela desvinculação de Portugal do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990", vai ser discutida em plenário na Assembleia da República, por indicação da Comissão Parlamentar da Educação, Ciência e Cultura. A discussão ainda não tem data marcada. No relatório que dá provimento à petição, assinado pelo deputado relator Michael Seufert, do CDS-PP, pode ler-se que "é um facto objectivo que, tirando os académicos envolvidos na elaboração do próprio Acordo, é difícil encontrar uma opinião da academia portuguesa favorável ao acordo".