África Monitor

Acesso Livre - Cultura

Manuela Ferreira

Cristiano Mangovo expõe “em memória de todas as mulheres de África”

Uma perna com 2,5 metros suspensa do tecto, tendo por baixo um sinal proibido, fotos de mulheres e flores dominam a exposição do artista angolano Cristiano Mangovo, a partir de hoje, na Fundação Arte e Cultura, em Luanda, que pretende sensibilizar a opinião pública para a violência contra as mulheres.

Trata-se de um trabalho “em memória de todas mulheres de África, em particular, e do mundo, em geral. Mulheres vítimas de guerras e deslocações políticas que, depois de violações sexuais, são mortas por homens armados, e também em memória de todas as outras que são violadas moralmente, no quotidiano”, explicou o artista ao Lusomonitor.

“Filosoficamente quero mostrar que a mulher é uma flor, por isso, quando é maltratada, fica irreparável. Portanto, em qualquer lugar onde ela estiver e viver, merece protecção integral e todo o respeito por parte do homem”.

“Violência, não!”, sublinha o artista.

Não é a primeira vez que Cristiano Mangovo defende a condição feminina, tendo recebido em 2005, o ‘Prémio Especial’ do Concurso do Fundo das Nações Unidas para População sobre “Promessa de igualdade, violência e desigualdade sexual feita às mulheres”, em Quinshasa.

No ano seguinte, na mesma cidade, recebeu o 3º Prémio do Concurso Nacional/Regional» sobre “Promessa de Igualdade” também do Fundo das Nações Unidas para a População.

Ainda em Quinshasa, conquistou o 5º Prémio do Concurso da Francofonia, da Sociedade Francofonia.

Cristianora Mangovo nasceu em 1982, em Cabinda, numa família com talento para o desenho que, com ele ainda criança, se refugiou no Congo-Quinshasa.

Estimulado e apoiado pela mãe, obteve, em 2003, o Diploma de Estado no Colégio das Belas Artes ESFORA na área da pintura.

Seguiu os estudos superiores na Academia das Belas-artes de Quinshasa, depois de um estágio no ateliê do artista Narciso Simambote.

Passou por várias fases, nomeadamente a pintura mural e a de pôr os seus trabalhos em exposição à porta de casa para ouvir as críticas de quem passava.

Depois, quis dominar a arte de distorção, longe de cânones académicos.

“Se eu pintar o naturalismo ou o realismo, vou fazer batota com Deus. Tenho que criar as minhas próprias personagens e pintar, embora busque sempre a minha inspiração na Natureza”.

Quando se familiarizou com novos géneros artísticos como a instalação e performance, iniciou uma nova etapa.

Os seus chapéus-de-chuva chamaram as atenções. “Não existe protecção a cem por cento. Por isso é necessário lembrar ao público que deve saber proteger-se e proteger os outros”, explica.

Já expôs ou tem trabalhos públicos em Bruxelas, Cabinda, Luanda, Quinshasa, Viana.