África Monitor

Arquivos AM Intelligence (Desde1985)

Paulo Guilherme

Portugal quase dois anos sem embaixador junto da CPLP

Num momento em que o Governo de Portugal anuncia como prioridade estratégica a CPLP e a Ásia, a embaixadora que lidera a missão portuguesa junto da comunidade lusófona mantém-se afastada do dia-a-dia da organização, há quase dois anos, com prejuízo para o peso político de Lisboa na organização, em momento de decisões importantes.

Neste momento, disse ao LusoMonitor fonte diplomática, as “grandes baixas na concertação lusófona são a Guiné-Bissau e Portugal”, ambos sem representação a nível de Chefe de Missão.

Mesmo apresentando-se com um diplomata da Direcção-Geral de Política Externa do MNE de Portugal, este não tem a categoria de embaixador extraordinário e plenipotenciário. “A percepção das capitais terceiras levará a que se duvidará sempre das reais prioridades estratégicas portuguesas”, afirma a mesma fonte.

No caso guineense, o afastamento deve-se à crise política em que o país mergulhou em Abril de 2012, que levou a um afastamento da organização lusófona.

 

Prioridade em causa

Os Estatutos da CPLP preveem que os Estados-membros podem, se assim o entenderem, estabelecer Missões Permanentes junto da Organização, em harmonia com a prática internacional seguida nesta matéria. Portugal abriu uma Missão Permanente junto à CPLP, a 13 Janeiro de 2009, depois do Brasil.

A Embaixadora Maria Clara Borja de Freitas apresentou as suas cartas credenciais ao Secretário Executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira, no dia 30 de Janeiro de 2012. Alguns meses depois afastou-se, segundo fonte diplomática devido a baixa médica.

Os maiores países membros da organização estão representados na CPLP com embaixadores – Brasil, Angola, Moçambique e até Timor-Leste.

A próxima cimeira da CPLP a aproximar-se, em Julho de 2014 em Díli, promete ser “quente”, sobretudo devido à questão da adesão da Guiné Equatorial.