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Paulo Guilherme

Reforço das relações com espaço lusófono passa a ser lei na Galiza

Se a Guiné Equatorial se prepara para se tornar o novo membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, também na Península Ibérica há quem esteja a pensar numa aproximação. Na Galiza, berço da língua portuguesa, o reforço das relações com os países lusófonos passou a ser lei, de olhos postos nas vantagens económicas e culturais da maior proximidade.
Foi a 9 de abril, que entrou em vigor a lei 1/2014, também conhecida como lei Paz Andrade, “para o aproveitamento da lingua portuguesa e vínculos coa lusofonia” (no original em galego). A exposição de motivos sublinha a disseminação do português, hoje a língua mais falada no Hemisfério Sul.
A lei determina que a administração pública galega promova o conhecimento da língua portuguesa e das culturas lusófonas, para aprofundar relações que têm “carácter estratégico” para a região. Mais concretamente, o governo “incorporará progressivamente a aprendizagem da língua portuguesa” entre as línguas estrangeiras leccionadas no ensino oficial.
Por outro lado, fica estabelecido que serão promovidas as relações com os países lusófonos, “um objectivo estratégico do Governo galego”, em concreto fomentando a aprendizagem do português por parte dos funcionários públicos, a participação das instituições em foros lusófonos de todo tipo – económico, cultural, ambiental, deportivo, etc.. Também os eventos da Comunidade Autónoma galega promoverão a presença de entidades e pessoas de territórios lusófonos.
Junto do governo de Madrid, o governo galego irá advogar a aplicação das disposições europeias para meios audiovisuais sem fronteiras, para “favorecer e permitir a reciprocidade das emissões televisivas e radiofónicas entre a região e Portugal, com quem “comparte patrimonio linguístico”.
Em concreto, fica determinado que a televisão galega irá promover intercâmbios para produção de programas e cooperação ao nível dos audiovisuais, segundo a lei assinada pelo presidente da “Xunta”, Alberto Núñez Feijóo.

“Vantagem histórica”
A lei sublinha que o português nasceu “na vehla Gallaecia”, e é hoje idioma de trabalho de vinte organizações internacionais, como a União Europeia, e língua oficial de nove países e do território de Macau, na China. “Entre eles figuran potencias económicas como o Brasil e outras economías emerxentes”, refere.
Fomentar o seu ensino, adianta, confere uma “vantagem linguística” a empresas e instituições. Sendo “intercomprensible co português”, o galego confere uma “valiosa vantagem competitiva” à região em várias vertentes, “nomeadamente na cultural pero tamén na económica”. Além de ser língua “próxima”, o português confere “grande proteção internacional”. “Polo tanto, para a mellora do desenvolvemento social, económico e cultural galego, as autoridades deben promover todas cantas medidas sexan posibles para mellor valorizar esta vantaxe histórica”.