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Angola volta-se para desenvolvimento do gás natural

Angola volta-se para desenvolvimento do gás natural


Resultado de 30 anos de experiência no sector do petróleo e gás, o livro "Petróleo, uma Indústria Globalizada" foi apresentado a 14 de dezembro em Lisboa. Num momento difícil para a 
indústria petrolífera angolana, o autor, António Feijó Júnior, mantém uma previsão optimista. Mas, sublinha, o gás natural é, cada vez mais, considerado o futuro da energia mundial, e Angola tem de aproveitar também este recurso. 

“A ideia é de se desenvolver o gás em Angola, com a criação de legislação apropriada, de forma que os investidores sejam atraídos para também ajudarem nesta fonte de energia, que será no futuro a principal fonte de energia no mundo”, disse ao Africamonitor.net António Feijó Júnior, gerente de concessões da petrolífera angolana Sonangol, à margem da apresentação do seu livro, na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Para além do projeto Angola LNG, que firmou contratos comerciais com a Glencore em Setembro deste ano, existem descobertas recentes de gás natural na Bacia do Kwanza, sublinha o engenheiro da Sonangol.
Salienta ainda a crescente procura por energias renováveis e combustíveis menos poluentes, tal como o gás natural. Especialistas do sector preveem mesmo que o gás será a principal fonte de energia no futuro, adianta.

Angola disputa atualmente com a Nigéria a posição de maior produtor de petróleo da África Subsaariana, com uma produção de quase 1.8 milhões de barris por dia. Feijó Júnior afirmou que as expectativas são de que essa produção se mantenha ou até aumente nos próximos anos. Mas, lembrou, para que se descubram novos recursos são necessários investimentos, sendo muito provável que num futuro próximo se abram novas licitações no sector do país. “Os investimentos no país com certeza serão bem-vindos”, afirma.

Angola estará a seguir as “boas práticas”, trabalhando em procedimentos e regras para facilitar o trabalho dos operadores, buscando soluções que permitam a exploração do petróleo pelas empresas, sem prejuízo na arrecadação do Estado angolano, afirma. "Os interesses (do Estado e dos empreiteiros) devem ser harmonizados para que a atividade aconteça. Portanto há interesses de uma parte e da outra, mas o importante é que esses interesses sejam conciliados e só assim será possível se desenvolver a atividade petrolífera da melhor forma. É isso que no fundo se está a fazer em Angola”.

Feijó lembra que já há políticas energéticas mundiais a restringirem o financiamento à indústria petrolífera, justificando o caminho de Angola está a seguir, da diversificação económica, principalmente devido à insistente baixa nos preços desde o o choque de 2014.

Em "Petróleo, uma Indústria Globalizada", já na 2ª
 edição, o autor aborda aspectos gerais da indústria petrolífera, demonstrando também a evolução histórica da produção em Angola. Os leitores, afirma "facilmente vão identificar as perspectivas que Angola tem e vão perceber os requisitos, a legislação petrolífera e vão ter já uma noção preliminar de qual é a legislação que existe e de tipos de contratos que nós temos em Angola".