África Monitor

Acesso Livre

Paulo Guilherme

Comissão Europeia pressiona presidente guineense

Comissão Europeia pressiona presidente guineense


A Comissão Europeia não demorou a reagir à decisão do presidente guineense de rejeitar os nomes propostos pelo PAIGC para formar governo. E, numa declaração do gabinete da própria alta-representante para a política externa, Federica Mogherini, não hesita em responsabilizar o chefe de Estado.

A rejeição do elenco governativo, em que figurava o nome de Domingos Simões Pereira, primeiro-ministro demitido por José Mário Vaz há 2 meses, “veio reavivar as tensões políticas no país” e “põe em risco os esforços para ultrapassar a crise política”, refere a declaração dos gabinetes de Mogherini e do comissário para a Cooperação e Desenvolvimento, Neven Mimica.

A Guiné-Bissau, adianta a Comissão, precisa de um governo “urgentemente” para que possa prosseguir com o processo de reformas e reconstrução. Isto é uma condição “crucial” para que seja disponibilizado o apoio prometido na conferência internacional de doadores de Bruxelas, cerca de 1.000 milhões de euros.

Já a decisão inicial de demitir Simões Pereira tinha sido criticada pela comunidade internacional. 
A iniciativa presidencial para formar um governo com PAIGC e PRS foi rejeitado pelo Supremo Tribunal (ST). 

De passagem por Lisboa em setembro, o chefe de Estado do Senegal e presidente em exercício da Comunidade de Estados da África Ocidental (CEDEAO), Macky Sall, criticou a decisão do presidente guineense de demitir o governo. 

Segundo o Africa Monitor Intelligence, a ideia de que a crise política tenha sido resolvida com o convite ao PAIGC para formar governo está a gerar dúvidas crescentes.

O clima entre Vaz e Domingos Simões Pereira é de irreversíveis desconfianças e aversões. A intenção atribuída a ambos de anular politicamente o outro leva à exploração de diferendos, adianta o AM Intelligence.

Melhorar a comunicação com presidente é vista como uma das principais tarefas do primeiro-ministro indigitado, Carlos Correia.