África Monitor

Acesso Livre

Paulo Guilherme

Melhorar comunicação com presidente da Guiné-Bissau é missão do novo PM Carlos Correia

Melhorar comunicação com presidente da Guiné-Bissau é missão do novo PM Carlos Correia


José Mário Vaz (JMV), Presidente da República da Guiné Bissau já tem em mãos a lista do novo governo do país, entregue pelo primeiro-ministro, Carlos Correia. São 18 ministros e 17 secretários de estado. Entre eles, Domingos Simões Pereira (DSP), que ocupará a pasta de Ministro da Presidência do Conselho de Ministros, o que, na prática, lhe dará poderes de vice-primeiro-ministro.

Esta inclusão de DSP no governo de Carlos Correia (CC) era previsível, quase inevitável, já que CC, com 84 anos, está há bastante tempo afastado da política activa e era apoiante de DSP, presidente do PAIGC, que também tem a maioria no parlamento e elegeu JMV como presidente da República.

Aparentemente, o presidente não tem outra alternativa que não seja a de aceitar o elenco governativo apresentado. Doutro modo a sua situação política, já muito fragilizada pela demissão de DSP e a tentativa de nomear um outro primeiro-ministro, que o Tribunal Constitucional rejeitou, sofrerá um outro abalo, de consequências imprevisíveis.

Carlos Correia, um político prestigiado, activo combatente na luta de libertação, ministros de várias pastas com Nino Vieira e três vezes primeiro-ministro também no tempo de João Bernardo Vieira, vai, evidentemente, contar com a experiência e a juventude de DSP e colmatará a falha que existe entre DSP e JMV: a comunicação.

A comunidade internacional já deu indicações claras: só apoiará um governo pacificado, disposto a cumprir o programa com que se comprometeu durante a reunião dos “doadores” e não está disponível para “arrufos” que criem instabilidade – a tal instabilidade que faz da Guiné Bissau um dos 15 países mais pobres do Mundo.

A Guiné Bissau tem recursos suficientes para gerir a sua própria independência e tem todas as vantagens em valorizar a harmonia que existe entre as diversas nações que compoêm o território, dando voz aos chefes tribais – uma exigência que se ouve cada vez mais e que faz todo o sentido; nenhuma crise, das muitas que ocorreram no país, aconteceu por desentendimentos tribais. Foram sempre os políticos e os militares instalados na cidade-estado, Bissau, que originaram as catástrofes político-militares.

Este novo governo, que deve ser aprovado ainda hoje ou amanhã, pode significar um novo ponto de partida para o povo da Guiné Bissau. Se assim for, seguramente a comunidade internacional não deixará de cumprir as suas promessas. Esperemos que não deixe de fiscalizar o cumprimento das contrapartidas.