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Brasil e Guiné-Bissau discutem relançamento da cooperação militar

Brasil e Guiné-Bissau discutem relançamento da cooperação militar


Portugal, Angola e Brasil foram pilares para a cooperação militar da Guiné-Bissau até 2012, quando os líderes do golpe de Estado quase baniram a intervenção destes países. Quase 3 anos depois, e já com governo democraticamente eleito em funções, o Brasil, prepara-se para retomar a cooperação, tal como Portugal e Angola.

A nova ministra guineense da Defesa, Cadi Seidi, visita o Brasil ainda em dezembro para analisar vias de cooperação militar, segundo Antonio Patriota, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e atual embaixador brasileiro junto das Nações Unidas, citado pela Rádio ONU. Os dois países estão a estudar um acordo de cooperação na área da Defesa.

O diplomata brasileiro aponta projetos em andamento, como o centro de formação policial de João Landim, próximo de Bissau, onde foram formadas forças de segurança para o processo eleitoral. Sobre perspectivas de cooperação na área militar entre os dois países, "podemos conversar”, afirma Patriota.

Também responsável pela estratégia de paz da ONU para a Guiné-Bissau no contexto da Comissão de Consolidação da Paz da organização, Patriota salienta também as potencialidades económicas do país. “Não inteiramente a cabo do governo, mas também que o setor privado brasileiro, que já tem uma presença na África Ocidental bastante considerável, se interesse pelas oportunidades existentes em Guiné-Bissau."

À frente da CCP para a Guiné-Bissau, e no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Brasil teve um papel de dianteira em todos os contactos na ONU após o golpe de 2012. Na qualidade de ministro dos Negócios Estrangeiros, Patriota deslocou-se várias vezes a Nova Iorque para procurar desbloquear o processo.


Portugal e Angola também de regresso

Nuno Pinheiro Torres, diretor-geral de Política de Defesa português, afirmou recentemente que as missões de cooperação serão retomadas em 2015. A partir de janeiro, Portugal voltará a ter um adido de Defesa em Bissau e até final do primeiro trimestre devem chegar ao país um conjunto de militares que vão prestar assessoria na reforma do setor de segurança guineense.

Até final de março de 2015, deverá estar pronto o programa quadro para três anos que vai detalhar o resto da cooperação, nomeadamente ao nível da formação. Os ramos prioritários são o Exército e a Marinha, acrescentou, tendo em conta as necessidades de vigilância, sobretudo no arquipélago dos Bijagós, adiantou.

Ao mesmo tempo, a partir do próximo ano letivo, a Guiné-Bissau poderá voltar a enviar militares para as academias em Portugal, assim como para o Instituto de Estudos Superiores Militares.

João Lourenço, ministro angolano da Defesa, afirmou em visita a Bissau no final de Junho que a cooperação com Bissau vai ser retomada “agora, no geral”, mas sem querer destacar os ramos da cooperação a ser contemplados nesta nova etapa.

"Sobre os domínios, as partes têm de se sentar e ver qual é o interesse mútuo". De uma forma geral, acrescentou, "a disponibilidade de Angola é total para o reatamento das relações”.

Angola teve uma missão de apoio ao processo de reforma das Forças Armadas da Guiné-Bissau, a MISSANG, estacionada no país, mas foi expulsa do território guineense pouco tempo depois o golpe de Estado militar de abril de 2012.

Com o fim da missão ficaram também cancelados os apoios que Angola estava a dar, como a construção e remodelação de infraestruturas de defesa e segurança.