África Monitor

Acesso Livre - Segurança e Defesa

Paulo Guilherme

Homem de confiança do presidente guineense é novo chefe de Estado Maior

 Homem de confiança do presidente guineense é novo chefe de Estado Maior

Visado pela Justiça internacional, António Indjai já dava sinal de disponibilidade para se afastar do posto de chefe de Estado Maior das Forças Armadas. O sucessor agora encontrado é o major-general Biague Na N´tan, um homem da confiança do presidente José Mário Vaz.

Atual chefe da Casa Militar da Presidência da República, Na N´Tan teve uma delicada primeira missão, após a chegada do novo presidente: reestruturar o Batalhão da Presidência, de cerca de 600 homens, procurando um maior “equilíbrio étnico”. Até então, era dominado por balantas.

Desde finais de junho, foram transferidos para o batalhão militares da Marinha, Exército, Força Aérea e Estado-Maior General, de todas as principais etnias guineenses. As mudanças atingiram ainda os serviços de segurança e o corpo de segurança presidencial.

Antes da nomeação para a Presidência, Na N´Tan estava na brigada operacional da Guarda Fiscal. Trabalhou diretamente com José Mário Vaz quando este era ministro das Finanças, responsável pelas Alfândegas. Anteriormente, tinha passado pelo Estado-maior do Exército.

A principal, e espinhosa, missão de Na N´Tan será a reforma das forças armadas guineenses. Os objetivos serão adequar o efetivo às necessidades do país e impedir que, como vem sucedendo repetidamente no país, as chefias militares interfiram no processo político.


Indjai exonerado

A nomeação deu-se no dia seguinte à exoneração de António Indjai. Na mira da Justiça internacional, o general vinha manifestando em meios da sua estreita confiança, muito restritos, vontade de se retirar, segundo informação do Africa Monitor Intelligence.

A sua postura perante as novas autoridades políticas foi de abertura e prudência. Condicionava uma retirada da vida militar, para a sua “ponta” em Jugudul, Mansoa, a garantias de segurança e tranquilidade. Em aberto tem estado a hipótese da apresentação à Assembleia Nacional de uma lei destinada a amnistiar delitos relacionados com o golpe de Estado de 2012.

Devido ao seu envolvimento no golpe, ainda impende um mandado internacional de captura sobre Indjai e outros responsáveis militares.