África Monitor

Acesso Livre - Segurança e Defesa

Paulo Guilherme

Potencial de cooperação militar na comunidade lusófona exige mais envolvimento do Brasil

Potencial de cooperação militar na comunidade lusófona exige mais envolvimento do Brasil

 
A Defesa é das áreas em que há maiores e mais antigos projetos de cooperação entre os países lusófonos. Ao nível da comunidade, a CPLP, o investigador Paulo Gorjão identifica ainda grande potencial por explorar, como na criação de uma força de reação rápida e patrulhamento naval. Contudo, diz o especialista do Instituto Português de Relações Internacionais e de Segurança (IPRIS), é necessário um maior empenhamento do Brasil.

“Mais cedo ao mais tarde, o Brasil terá de assumir uma postura diferentes e um conjunto de responsabilidades no contexto internacional, nomeadamente no campo da Defesa e Segurança”, afirma Gorjão em análise publicada pelo IPRIS. O móbil, defende, será a candidatura a um lugar permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, um antigo objetivo brasileiro.

“As sinergias proporcionadas pela CPLP serão, então, mais interessantes do ponto de vista do governo de Brasília”, afirma o investigador. Para Gorjão, a última reunião dos ministros de Defesa da CPLP, em maio, foi um dos eventos mais interessantes da história recente da organização, pelas portas abertas. O debate aí iniciado “está para ficar”.

Na reunião, o ministro português José Pedro Aguiar Branco propôs a criação de um contingente militar da CPLP no quadro das operações de manutenção de paz da ONU. Para Gorjão, o projeto tem potencial para acrescentar peso à organização, “podendo e devendo” evoluir para uma força de reação rápida, o que é do interesse de Portugal.

O “exemplo óbvio”, adianta, é o Golfo da Guiné, onde pode ser operacionalizada a cooperação entre as Marinhas dos países membros. Os alvos seriam o combate à pirataria, pesca ilegal, tráfico de droga e outras formas de crime organizado que flagelam os países da região, em que se incluem São Tomé e Príncipe e a Guiné Equatorial. Os únicos países com capacidades efetivas neste campo são Portugal e Brasil, pelo que a situação seria mutuamente vantajosa.

“Combatendo os vários atos ilícitos que afligem o Golfo da Guiné e protegendo os recursos naturais e rotas de comunicação marítimas, a CPLP também se posicionaria como um interlocutor relevante em relação aos interesses estratégicos dos Estados Unidos e União Europeia”, adianta Gorjão. A falta de avanços mais substanciais até agora explica-se, defende, no afastamento do Brasil em relação à CPLP.