Africa Monitor

Análise

Leston Bandeira

Certezas e incertezas das legislativas em Cabo Verde

 Certezas e incertezas das legislativas em Cabo Verde


Cabo Verde vai a votos no domingo, e muito está em jogo: a continuidade do governo do PAICV – e a eleição da primeira primeira-ministra do arquipélago, Janira Hopfer Almada – ou o regresso do MpD – pelas mãos de Ulisses Correia da Silva. De certo, apenas a incerteza em relação ao resultado. Eis outras certezas – e incertezas – saídas desta campanha eleitoral:


1. Certeza: Estas eleições serão uma etapa importante na consolidação da democracia. Há alguns pormenores menos bem afinados, como o papel da Comissão Nacional de Eleições, que determinou a proibição de opinião expressa, quer nos Jornais, quer na Televisão, quer ainda na Rádio.

2. Certeza: PAICV e MpD estão muito próximos de uma maioria, mas dificilmente absoluta.

3. Incerteza: na hora de depositar o boletim, pesará mais para o povo cabo-verdiano a mudança para melhor na última década ou as dificuldades económicas dos anos mais recentes – manifestas, sobretudo, no quase colapso dos TACV?

4. Certeza: a impossibilidade de uma “grande aliança” entre o PAICV e o MpD. Cada um deles procurou durante a campanha atirar sobre o outro a lama que podia. Até por isso, os cabo-verdianos veriam com maus olhos tal “arranjo”.

5. Certeza: a UCID solidifica-se como terceiro partido.

6. Incerteza: a UCID chega ao governo? Se crescer eleitoralmente, ganhará a possibilidade de, pela primeira vez, chegar ao executivo, podendo aliar-se ao PAICV - do qual, de resto, parece mais próximo.

7. Certeza: José Maria Neves candidata-se à Presidência da República - e, por isso, logo na segunda-feira começará a sua campanha (sem esperar pelo anúncio de uma mais que esperada recandidatura de Jorge Fonseca).

8. Certeza – Se o PAICV ganhar, ficará mais fácil para o então já ex-primeiro-ministro; seria o corolário da governação de Neves - cujo prestígio no exterior, nomeadamente na diáspora nacional, é assinalável.