Africa Monitor

Análise

Moçambique ganha 5.000 megawatts com Mphanda Nkuwa e a Cahora Bassa

Moçambique vai ganhar 5000 megawatts de capacidade de produção de electricidade com as novas centrais de Mphanda Nkuwa e a Cahora Bassa, operacionais em 2020. Mas só poderá tirar realmente partido da energia com um reforço das redes e da capacidade de fornecimento.

Uma cidade de Maputo às escuras esta semana serviu para lembrar as potenciais consequências do pouco investimento em infra-estruturas de energia eléctrica. Além da interrupção regular de energia nas casas moçambicanas, fica em causa o próprio crescimento da economia moçambicana.

A procura de electricidade em Moçambique deverá aumentar cerca de 14% por ano e a procura regional no SAPP, um grupo de energia sul-africano, vai aumentar cerca de 1500 megawatts por ano entre 2012 e 2020, segundo uma análise recente da consultora Frost&Sullivan.

Os dois maiores projectos nacionais de geração de energia, as centrais de Mphanda Nkuwa e Cahora Bassa (central norte) entram em operação em 2019 e 2020, respectivamente. Deste modo, 5.000 megawatts serão fornecidos a Moçambique, estando em funcionamento em 2020.

Até agora, a falta de uma linha de transmissão directa de energia de Cahora Bassa à capital Maputo, significa que a electricidade tem de ser exportada para a África do Sul e, posteriormente, importada a um custo mais elevado.
A China, à semelhança da sua estratégia noutros países em vias desenvolvimento, quer ter uma participação activa na reabilitação da indústria da electricidade em Moçambique. A State Grid Corp – a maior empresa de gestão de transportes e fornecimento de energia na China – quer investir 1,7 mil milhões de dólares no projecto Centro-Sul (Cesul). Trata-se de um investimento levado a cabo com o propósito de transportar energia produzida em Cahora Bassa até aos centros de consumo. A aquisição por parte da China State Grid Corp de uma participação de controlo de 25% ao Estado português (através das Redes Energéticas Nacionais (REN), valeu à empresa chinesa uma entrada no capital da Hidroeléctrica de Cahora Bassa.

“A ausência de uma infra-estrutura adequada de transporte em Moçambique é uma das maiores restrições na indústria da electricidade”, refere o responsável do departamento de Energia e Ambiente da Frost& Sullivan, Cornelis van der Waal. Outro factor que dificulta o fornecimento de energia é o facto de muitas vezes as populações estarem muito dispersas e assim, a construção de uma infra-estrutura de produção e distribuição de energia torna-se inviável, acrescenta. Actualmente, cerca de 12% da população tem acesso à rede eléctrica nacional.

As baixas tarifas de energia eléctrica constituem outro desafio na medida em que os consumidores não têm capacidade de gerar receita suficiente para se investir em manutenção e modernização de infra-estruturas de energia. Cornelis van der Waal refere que o governo moçambicano está a rever a estrutura de tarifa de energia eléctrica. Se estas [tarifas] forem sustentáveis, o mercado vai atrair IPP para financiar e construir novas estruturas que permitirão fazer chegar luz às populações.

O governo tem vindo a anunciar a intenção de ligar à rede nacional de energia eléctrica as sedes dos 128 distritos de Moçambique, até 2014.