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Análise

Moçambique sob pressão abre caminho a fim da crise político-militar

Moçambique sob pressão abre caminho a fim da crise político-militar

A anunciada aprovação de uma lei de amnistia pelas autoridades moçambicanas permite a Afonso Dhlakama avançar para as presidenciais de outubro. É o princípio do fim da crise político-militar do último ano. Mas a boa vontade do regime foi, antes de mais, resultado de pressão.

A nível internacional, segundo o Africa Monitor Intelligence, gerou-se nos últimos meses um ambiente internacional de desconfiança em relação a Moçambique. O esforço do regime para responsabilizar unicamente a Renamo pela crise não mereceu o esperado acolhimento da comunidade internacional

Este ambiente de desconfiança teve já consequências nocivas no plano do investimento privado ou do arranque de projectos – havendo também já conhecimento de casos efectivos de desinvestimento.

Internamente, o regime enfrentou a postura crítica de indivíduos ou grupos que no regime e na sociedade civil organizada encaram com objecções a política do Governo em relação à crise, adianta a mesma fonte.

Paralelamente, regista-se maior confiança interna nas possibilidades de êxito do candidato presidencial da Frelimo, Filipe Nyusi.

E a participação plena da Renamo e do seu candidato presidencial nas eleições gerais de 15 de Outubro, terá, serve o interesse da Frelimo: não se prevendo para a Renamo um bom resultado eleitoral, a sua participação vem dividir com o MDM e o seu candidato presidencial, Daviz Simango, o eleitorado motivadamente anti-Frelimo

A lei de amnistia, aprovada terça-feira ao final do dia, aplica-se também aos apoiantes de Dhlakama, envolvidos em confrontos armados com forças governamentais desde 2012.

Dhlakama deverá sair do seu reduto e assinar, em Maputo, um acordo de paz formal com Armando Guebuza.