África Monitor

Acesso Livre

Paulo Guilherme

Guiné-Bissau, a causa timorense

Mais de dez anos depois da sua independência, que foi uma causa para milhões de portugueses, Timor-Leste encontrou a sua causa: a Guiné-Bissau, o mais problemático dos países lusófonos. O mais jovem dos países da CPLP, que presidirá à comunidade a partir de 2014, é o que mais se empenha em apoiar o primeiro país lusófono a declarar a independência.

A visita a Bissau em Outubro do primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, veio dar peso político ao envolvimento do mais jovem país lusófono neste processo, a que já presta importante apoio financeiro e técnico à realização das próximas eleições.

Segundo a newsletter Africa Monitor, o empenho timorense visa projectar externamente a imagem do país, associando-o à causa de normalização político-constitucional da Guiné-Bissau. As autoridades timorenses pretendem também vincar uma presença da CPLP na resolução da crise guineense e melhorar, por via de tal resolução, as condições de êxito da missão de José Ramos Horta, antigo Presidente de Timor-Leste, agora representante em Bissau do SG ONU.

Com a inesperada visita, Díli pretendeu também levar os parceiros regionais da Guiné-Bissau, em especial CEDEAO e Nigéria, a clarificar as suas posições em relação às eleições. A Nigéria não tornara ainda firme o apoio prometido às eleições e na CEDEAO era notada falta de aplicação no avanço do processo eleitoral.

Na esteira da cimeira da CEDEAO de 28 de Outubro, em que foi evidenciado um maior empenhamento da organização no processo, a Nigéria tornou também firme um apoio de  6 milhões de dólares. O total das ajudas externas à realização das eleições na Guiné-Bissau, incluindo13 milhões de dólares da CEDEAO, 2 milhões da União Europeia e , 6 milhões de Timor-Leste, ultrapassa agora o montante considerado necessário, adianta o Africa Monitor.

Xanana Gusmão associou publicamente a inesperada viagem a Bissau a imperativos de solidariedade decorrentes das ligações históricas Fretilin-PAIGC. Mari Alkatiri, lider da Fretilin, partido com mais antigas e estreitas ligações ao PAIGC, incorporou a comitiva.