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São Tomé não volta costas a Taiwan, para já

Primeiro foi a eleição de Manuel Pinto da Costa, historicamente próximo da China, como presidente de São Tomé e Príncipe  a levantar rumores de um voltar de costas do arquipélago ao seu parceiro tradicional, Taiwan, reatando laços diplomáticos com Pequim, como fez a Guiné-Bissau no tempo de ‘Nino Vieira. Nas últimas semanas os rumores adensaram-se com a prensença de um ministro são-tomense na Conferência Ministerial do Fórum Macau e a abertura de uma missão chinesa em São Tomé.

Em entrevista ao LusoMonitor, Gerhard Seibert, investigador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE, dá conta de uma intensificação das relações entre São Tomé e Princípe e a República Popular da China a nível económico. “São Tomé espera investimentos da China" e “oferece as suas vantagens estratégicas como plataforma comercial na região do Golfo da Guiné."

Quanto à diplomacia, no entanto, "pelos menos por enquanto, São Tomé quer manter as relações diplomáticas com Taiwan também," o que impede o reatar de contacto com a República Popular da China, afirma.  Enquanto não tiver relações diplomáticas plenas com Pequim, explica, São Tomé não pode ser membro do Fórum Macau.

Apesar de não existirem relações diplomáticas entre São Tomé e Príncipe e a China há 15 anos, o arquipélago enviou uma missão à conferência ministerial do Fórum Macau, no início de novembro, uma missão chefiada pelo ministro do Plano e Finanças, Hélio Almeida, com o estatuto de observador. Já em Outubro, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, Natália Umbelina, havia realizado uma visita oficial à China.

Na semana passada, Osvaldo Abreu, ministro são-tomense das Obras Públicas, Infra-estruturas e Recursos Naturais disse que a China vai abrir uma “representação de ligação” com carácter comercial em São Tomé e Príncipe, “ligação de carácter comercial” formalizada nas instalações da antiga embaixada da China na capital são-tomense.

Citado pelo MacauHub, o ministro afirmou que “o acto visa salvaguardar os interesses do povo de São Tomé e Príncipe” numa perspectiva económica e sublinhou que a ligação se prende com múltiplos projectos nas áreas de interesse comercial e empresarial entre os dois Estados. Anunciou a vinda de comerciantes e industriais chineses a São Tomé e Príncipe no âmbito dessa ligação, tendo mencionado a construção de um porto em águas profundas, um projecto com um custo avaliado em mais de 400 milhões de dólares.

Apesar desta aproximação no campo económico, as relações diplomáticas entre os dois países mantêm-se frias desde 1997, quando São Tomé reconheceu Taiwan como um país independente. A República Popular da China não reconhece Taiwan como uma nação, o que impede que se relacione com países que o fazem.

Segundo o investigador Gerhard Seibert, o papel do arquipélago a nível internacional está condicionado pelas suas limitações geográficas e económicas: "Tendo em conta que São Tomé e Princípe é tão pequeno e pobre, não pode ter grande relevância." Haveria uma possibilidade de ganhar mais destaque no espectro mundial, "se fosse produtor de petróleo. Contudo, não é, pelo menos por enquanto."